Bala de Antonina chega ao Palácio do Planalto em gesto do presidente Lula e projeta o Litoral do Paraná

Do Litoral do Paraná para o gabinete do presidente da República, o doce tradicional de Antonina ganhou destaque em um vídeo que emocionou o país ao celebrar a trajetória de um jovem aprovado no concorrido concurso de diplomata.

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Foto: Reprodução/Internet

Um doce simples, feito artesanalmente em uma cidade histórica do Litoral do Paraná, atravessou mais de 1380 quilômetros e chegou ao Palácio do Planalto para se transformar em símbolo de afeto, reconhecimento e vitória. A bala de banana de Antonina apareceu no desfecho de um vídeo publicado nesta quinta-feira (15) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em suas redes sociais, encerrando um relato emocionante sobre educação e perseverança no Brasil.

No vídeo, Lula recebe Douglas Rocha Almeida, jovem recém-aprovado no concurso de admissão à carreira de diplomata — um dos mais difíceis do país — filho de uma diarista e de um pedreiro, formado pelo Programa Universidade para Todos (Prouni). Após ouvir a história de esforço, luto, persistência e superação, o presidente encerra o encontro com um gesto simbólico e inesperado: entrega ao jovem uma bala de Antonina.

“A Janja já prometeu uma abotoadura para o Douglas. Eu, como sou mais humilde, vou dar uma balinha de Antonina. Vou dar para vocês dois uma balinha de Antonina, e adoçar a vida de vocês”, afirmou Lula no vídeo.

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O gesto arrancou sorrisos, mas também projetou, para milhões de brasileiros, um dos produtos mais tradicionais do litoral paranaense, reconhecido nacionalmente por sua qualidade artesanal e por carregar a identidade cultural de Antonina.

A bala que colocou Antonina no mapa do Brasil

A bala de banana de Antonina é um dos símbolos mais emblemáticos da cidade, que também se destaca por seus atrativos naturais e por grandes eventos populares, como o tradicional Carnaval e o Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná, realizado no município há mais de três décadas. Ainda assim, desde a década de 1970, é o doce artesanal que projeta o município para além de suas fronteiras e o conecta com o imaginário afetivo de gerações de brasileiros.

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Produzida a partir de receitas transmitidas ao longo do tempo e do aproveitamento da banana, fruta abundante na região, a bala de Antonina se transformou em um patrimônio afetivo do Litoral. Mais do que um produto, ela carrega memórias de infância, turismo e pertencimento, se consolidando como um dos principais símbolos da identidade cultural da cidade.

Esse valor simbólico foi reconhecido formalmente nos últimos anos. Em 2020, a bala conquistou a Indicação Geográfica (IG) concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que certifica produtos cujas características estão diretamente ligadas ao território e ao modo de produção. O selo colocou Antonina no seleto grupo de regiões brasileiras protegidas por origem, ao lado de produtos tradicionais como o queijo da Serra da Canastra e o vinho do Porto.

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Cinco anos depois, esse processo foi coroado com a sanção da Lei Federal nº 15.237/2025, que declarou Antonina oficialmente como a Capital Nacional da Bala de Banana. A legislação, originada de um projeto do senador Flávio Arns (PSB) e aprovada pelo Congresso Nacional, transformou uma tradição popular em patrimônio de interesse nacional, consagrando o município como referência brasileira na produção do doce.

O reconhecimento jurídico reflete uma realidade econômica concreta. A bala de banana é hoje um dos principais motores da economia antoninense, sustentando uma cadeia produtiva que envolve agricultores familiares, fábricas artesanais e o comércio local. O cultivo da banana se tornou a principal fonte de renda de dezenas de produtores que abastecem a indústria do doce, conectando o campo à atividade industrial e turística.

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Com uma produção média de cerca de 15 mil toneladas por mês, as balas de Antonina ultrapassam as fronteiras do Paraná e chegam ao mercado nacional e internacional, consolidando o doce como um dos produtos mais conhecidos do litoral brasileiro.

Foi esse símbolo que chegou ao Palácio do Planalto pelas mãos do presidente Lula. Ao escolher uma bala de Antonina para selar um momento de celebração, o presidente deu visibilidade nacional a uma cidade, a uma tradição e a uma história construída a partir do trabalho, da cultura e da identidade de um território.

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A história que emocionou o presidente

Durante o encontro, Douglas contou sua trajetória marcada por trabalho desde a adolescência, formação em escola pública e o acesso à universidade por meio do Prouni. Garçom dos 15 aos 27 anos, ele conheceu a carreira diplomática apenas depois de ingressar no curso de Relações Internacionais. A morte da irmã, em 2017, foi um ponto de virada.

“Depois que minha irmã faleceu, eu tive de arrumar alguma coisa que me segurasse aqui. E aí eu escolhi ser diplomata para dar uma opção de trabalho para além de diarista para minha mãe. E também porque eu estava entendendo que poderia ser o meu chamado. Eu não desisti porque em casa eu nunca vi a minha mãe desistindo. Então aprendi a perseverança, a persistência de berço. Então persista que vai dar certo”, disse.

Assista ao vídeo:

Uma resposta

  1. Lula é um cara incrível!
    Mas, mais incrível ainda é existir um monte de brasileiros não reconhecer isso.
    Felizmente e, pra sorte de todos, a maioria reconhece!

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