Rombo de R$ 41 bi no Master atinge previdência municipal no Paraná

Operação contra banco revela investimentos em empreendimento ligado a Toffoli e perdas em fundos de pensão de servidores paranaenses

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Foto: Reprodução/Internet

A liquidação extrajudicial do Banco Master e o desdobramento da Operação Compliance Zero geraram uma onda de incertezas que atinge o estado do Paraná. As investigações da Polícia Federal apontam que o esquema de fraudes bilionárias alcançou o patrimônio de servidores públicos e empreendimentos imobiliários locais.

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Origem da crise e prisões

O caso eclodiu em novembro de 2025, após o Banco Central identificar um desequilíbrio patrimonial profundo na instituição. A PF aponta que o banco mantinha cerca de R$ 12 bilhões em créditos fictícios para ocultar perdas. No início da operação, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso em flagrante no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava deixar o país em um jato particular.

A investigação evoluiu para a identificação de uma rede que utilizava empresas de fachada e “laranjas” — incluindo uma atendente de lanchonete — para validar operações de crédito inexistentes junto ao BRB (Banco de Brasília).

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A teia de conexões e o Paraná

A segunda fase da operação, deflagrada em 14 de janeiro de 2026, expandiu o foco para as conexões políticas e societárias do banco. O investidor Nelson Tanure é investigado pela suspeita de atuar como sócio oculto de Vorcaro e de utilizar fundos do Master para manipular o valor de ações de suas próprias empresas, como a Ambipar.

No Paraná, a conexão mais sensível envolve o Tayayá Resort, em Ribeirão Claro. De acordo com o inquérito, um fundo ligado ao esquema do Master aportou R$ 4,3 milhões no empreendimento, que tem como sócios irmãos e primos do ministro Dias Toffoli. O ministro, que é o relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), tornou-se alvo de um pedido de impeachment protocolado por senadores, que apontam conflito de interesses.

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Previdência Municipal

O impacto financeiro atinge também os RPPS (Regimes Próprios de Previdência Social) de prefeituras paranaenses. Atraídos por taxas de juros acima da média do mercado, gestores de fundos de pensão municipais alocaram recursos em papéis do Master. Com a liquidação, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) iniciou o ressarcimento de 1,6 milhão de clientes, em um desembolso recorde de R$ 41 bilhões, limitado ao teto de R$ 250 mil por CPF.

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Cenário nos municípios

Ao menos cinco grandes cidades paranaenses possuem recursos retidos na instituição. Em Curitiba, o aporte estimado é de R$ 150 milhões, e a gestão municipal aguarda o cronograma de liquidação para avaliar o tamanho da perda real. Ponta Grossa possui cerca de R$ 80 milhões comprometidos; a situação é considerada crítica e está sob análise de risco jurídico. Em Foz do Iguaçu e Londrina, os valores chegam a R$ 45 milhões em cada cidade; ambas as prefeituras suspenderam novas aplicações e já provisionaram perdas parciais em seus balanços. Cascavel, com R$ 20 milhões aportados, possui a situação menos gravosa, com maior chance de recuperação via FGC, mas ainda enfrenta o bloqueio imediato da liquidez desses ativos.

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