Matinhos recebe, a partir de maio, a nova edição do projeto Ulokelu, iniciativa de formação em audiovisual que oferece oficinas gratuitas para pessoas a partir dos 16 anos. As inscrições abrem nesta quinta-feira (9) e marcam a chegada da proposta ao Litoral do Paraná, após três etapas realizadas em Ponta Grossa.
Com foco na linguagem audiovisual, a iniciativa busca apoiar e impulsionar a criação artística, ampliando o acesso à formação fora dos grandes centros. A programação reúne oficinas de Cinema de Guerrilha, Realidade Virtual, Cianotipia e Filmagem e Revelação em Super 8, conduzidas por profissionais com atuação reconhecida no cenário nacional e internacional.
As atividades serão realizadas na Universidade Federal do Paraná (UFPR), campus Matinhos, com 20 vagas por oficina. Clique aqui para se inscrever.
Os participantes que concluírem as atividades receberão certificado e uma bolsa de ajuda de custo no valor de R$160 por oficina, destinada a despesas com alimentação e transporte. O pagamento será realizado via Pix ao final de cada módulo, mediante participação integral e assinatura de recibo. Quem optar por participar de mais de uma formação poderá receber o valor correspondente a cada uma delas, desde que cumpra 100% de presença.
A bolsa tem como objetivo contribuir para a permanência dos participantes e ampliar o acesso às atividades, reduzindo barreiras financeiras.
O projeto
Mais do que a formação técnica, o Ulokelu se apresenta como um espaço de experimentação e fortalecimento de narrativas diversas. A iniciativa foi aprovada pela Secretaria de Estado da Cultura, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura, e propõe reflexões sobre o papel das histórias na construção de identidades, na disputa de sentidos e na possibilidade de imaginar outros futuros.
O nome Ulokelu tem origem no kibundo, língua de matriz africana, e significa “modo de fazer feitiço”. A expressão orienta a proposta pedagógica ao tratar o cinema como ferramenta de transformação, capaz de reorganizar memórias, provocar deslocamentos e dar visibilidade a experiências historicamente marginalizadas.
O projeto é coordenado pelo cineasta Cássio Kelm, natural de Ponta Grossa, mas que já morou no Litoral do Paraná e mantém uma relação próxima com a região. Foi em Matinhos que dirigiu seu primeiro longa-metragem, o documentário Mães do Derick (2020), consolidando um vínculo que atravessa sua trajetória pessoal e artística.
“Acredito muito na enorme potência criativa que está fora dos grandes centros, e descentralizar esse tipo de iniciativa é essencial para ampliar o acesso, fortalecer redes locais e reconhecer a diversidade de olhares e histórias que vêm dessas regiões”, afirma Cássio.
A direção de produção das oficinas é assinada pela Piranha Filmes, por meio das produtoras Jade Azevedo e Janaína Moraes, que também estudaram na Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV), em Cuba. A partir dessa formação, a curadoria das oficinas foi pensada para reunir profissionais com trajetórias reconhecidas e experiências compartilhadas no campo do audiovisual.
Em Matinhos, a produção local fica a cargo do Espaço Sideral, Ponto de Cultura do município.



Formação prática e diversidade de linguagens
Nesta edição, a homenageada é Norma Bahia Pontes, cineasta, videomaker e ensaísta que teve papel importante na legitimação do Cinema Novo como movimento artístico na década de 1960. A programação reúne quatro oficinas que combinam teoria e prática, explorando diferentes possibilidades dentro do audiovisual:
A oficina Cinema de Guerrilha, com o artista visual e cineasta Rosa Caldeira, abre a programação nos dias 8 e 9 de maio, propondo uma abordagem que dialoga com tecnologias periféricas e perspectivas decoloniais na produção audiovisual.
Na sequência, nos dias 15 e 16 de maio, a produtora cultural e pesquisadora Janaína Moraes conduz a oficina Prática de Realidade Virtual, voltada ao uso de tecnologias imersivas como ferramenta narrativa e de registro de identidades.
Já nos dias 22 e 23 de maio, a fotógrafa Pretícia Jerônimo ministra a oficina de Cianotipia, técnica histórica de impressão fotográfica que permite a criação de imagens artesanais em tons de azul.
Encerrando a programação, entre os dias 28 a 30 de maio, o cineasta Rodrigo Sousa & Sousa conduz a oficina de Filmagem e Revelação em Super 8, que inclui a produção de um curta-metragem em tomada única e a experiência de revelação analógica, com exibição final ao público.
Formação, acesso e impacto cultural no Litoral
A chegada do Ulokelu ao Litoral do Paraná amplia o acesso à formação em audiovisual em um território onde iniciativas desse tipo ainda são pouco frequentes. A realização das oficinas em Matinhos cria condições para que jovens e interessados tenham contato direto com técnicas, profissionais da área e possibilidades de atuação no setor.
Além da formação, a iniciativa pode contribuir para o desenvolvimento de novos profissionais e para o fortalecimento da produção cultural local, ao estimular a criação de conteúdos a partir das próprias realidades e experiências do território.
Fonte: Assessoria de Imprensa











