Projeto reúne 10 oficinas semanais, formação antirracista para educadores, produção audiovisual, catálogo digital da memória negra e indígena local e a criação do primeiro bloco afro da região.
A partir da próxima quarta-feira (25), o bairro rural de Porto de Cima, em Morretes, passa a sediar o projeto Porto de Cima Cultural, uma iniciativa gratuita de formação que, ao longo de seis meses, oferecerá dez oficinas culturais semanais destinadas a crianças, adolescentes, jovens e adultos.
A programação inclui oficinas de teatro, Breaking, desenho, música, construção de instrumentos percussivos com material alternativo, educação ambiental, turismo de base comunitária, produção de eventos e Língua Brasileira de Sinais (Libras). As atividades seguem até agosto, somando 24 encontros por oficina – quatro por mês – e serão realizadas no Barracão São Sebastião, espaço que contará com acessibilidade arquitetônica e comunicação inclusiva.
Voltado especialmente a territórios historicamente marcados pela presença negra e por trajetórias fundamentais para a formação do Paraná, como Porto de Cima e São João da Graciosa, o projeto reforça o acesso à cultura e à formação continuada dentro do próprio território.
A iniciativa foi aprovada pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura – Governo Federal, por meio do Edital Viva Cultura.
Formação cultural com identidade territorial
O projeto parte de um compromisso com o reconhecimento histórico da presença negra e indígena na formação de Morretes – compreendendo que essas contribuições foram, ao longo do tempo, invisibilizadas ou tratadas de forma secundária nos registros oficiais. Porto de Cima foi um dos primeiros lugares do Brasil a abolir a escravização antes mesmo da assinatura da Lei Áurea, é local de nascimento de Maria Bueno e carrega a marca da atuação dos Irmãos Rebouças, primeiros engenheiros negros do país, responsáveis pelo projeto da Estrada de Ferro Curitiba–Paranaguá. Em São João da Graciosa, a montanha e o rio Mãe Catira preservam o nome de uma mulher negra escravizada que viveu na região, símbolo de uma memória que resiste aos apagamentos históricos.
Apesar desse patrimônio simbólico, os bairros não possuem equipamentos culturais permanentes e enfrentam dificuldades de mobilidade até o centro da cidade – São João, inclusive, não conta com escola própria.
“O projeto nasce da urgência de fortalecer memória, pertencimento e acesso à cultura dentro do próprio território. Cultura é direito, mas também é ferramenta de transformação social”, afirma Kamylla Paola dos Santos, diretora de produção e oficineira de teatro.




Dez oficinas, múltiplas linguagens
O Porto de Cima Cultural oferecerá oficinas de:
– Teatro para crianças
– Teatro para jovens e adultos
– Breaking para adolescentes
– Desenho para crianças
– Desenho para jovens e adultos
– Construção de instrumentos percussivos com material alternativo
– Ensaios do bloco Lata Afro Groove
– Educação ambiental para adolescentes
– Turismo de base comunitária e produção de eventos regionais
– Língua Brasileira de Sinais (Libras)
As oficinas acontecem semanalmente, distribuídas entre manhã, tarde e noite, ampliando o acesso a diferentes públicos.
Além da formação artística, o projeto articula cultura, meio ambiente, economia criativa, patrimônio e acessibilidade, promovendo capacitação técnica e possibilidades de geração de renda local.
Primeiro bloco afro do Porto de Cima
Um dos eixos estruturantes da iniciativa é a criação do primeiro bloco afro da região, o Lata Afro Groove. A proposta envolve a construção de instrumentos com materiais recicláveis e ensaios regulares, conectando ancestralidade, sustentabilidade e protagonismo juvenil.
A ação dialoga diretamente com políticas de preservação do patrimônio cultural imaterial e com a valorização de matrizes africanas na cultura paranaense.
Contrapartida social e educação antirracista
O projeto também prevê ações formativas direcionadas à rede pública de ensino, ampliando seu alcance para além das oficinas regulares. Entre as atividades programadas estão dois encontros de quatro horas sobre Letramento Racial para Educadores, voltados à comunidade escolar de Morretes. A formação abordará a aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena, além de discutir práticas antirracistas no cotidiano pedagógico.
Como parte da contrapartida social, serão realizadas ainda duas sessões gratuitas de contação de histórias afro-indígenas nas escolas do bairro, com acessibilidade em Libras. As atividades serão conduzidas pelo artista e pesquisador Marcel Malê e pela cacique Mbya guarani Juliana Kerexu, fortalecendo o diálogo entre educação, memória e diversidade cultural.
As ações dialogam com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e reforçam o compromisso com a educação antirracista e a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas.
Equipe negra e regional
A equipe técnica é composta integralmente por pessoas negras e por artistas e técnicos residentes em Morretes e no Porto de Cima. Entre os profissionais estão o B.boy e músico Maycon Souza, a atriz e musicoterapeuta Kamylla dos Santos, o percussionista Diorlei Santos, a artista naturalista Isaurina Maria (Sarika), a antropóloga Janaína Moscal, o intérprete de Libras Nathan Sales, além do artista e pesquisador Marcel Malê e da liderança indígena Juliana Kerexu.
A proposta também prevê produção de vídeos documentais sobre o processo formativo e a criação de um catálogo digital de espaços e personalidades negras e indígenas da região.
Cronograma das oficinas
A expectativa é alcançar mais de 10 mil pessoas direta e indiretamente ao longo das atividades formativas, apresentações, produções audiovisuais e ações educativas, fortalecendo redes comunitárias e ampliando o acesso à cultura em territórios historicamente invisibilizados.
As atividades serão realizadas no Barracão de Festas São Sebastião, em Porto de Cima, entre fevereiro e agosto de 2026. Cada oficina contará com 24 encontros ao longo de seis meses, com quatro aulas mensais. Confira o cronograma:
Segunda-feira
À tarde, das 16h30 às 18h30, acontece a oficina de desenho para crianças, com Isaurina Maria, de 23 de fevereiro a 10 de agosto.
À noite, das 19h às 21h, é a vez do desenho para jovens e adultos, também com Isaurina Maria, no mesmo período.
Terça-feira
Das 16h30 às 18h30, ocorre a oficina de teatro para crianças, com Kamylla dos Santos, de 24 de fevereiro a 11 de agosto.
À noite, das 19h às 21h, acontece a oficina de teatro para jovens e adultos, também com Kamylla dos Santos, no mesmo período.
Quarta-feira
Das 19h às 21h, é realizada a oficina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para jovens e adultos, com Nathan Sales, entre 24 de fevereiro e 5 de agosto.
Quinta-feira
No período da manhã, das 9h às 11h, acontece a oficina de Breaking para adolescentes, com Maycon Souza, de 26 de fevereiro a 25 de agosto.
À noite, das 19h às 21h, é realizada a oficina de turismo de base comunitária e produção de eventos regionais para jovens e adultos, com Janaína Moscal, também de 26 de fevereiro a 25 de agosto.
Sexta-feira
No período noturno, ocorre a oficina de educação ambiental para adolescentes, de 27 de fevereiro a 28 de agosto, com oficineiro a definir.
Sábado
Das 8h30 às 10h30, acontece a oficina de construção de instrumentos percussivos com material alternativo, voltada a participantes a partir de 15 anos, com Diorlei Santos, entre 28 de fevereiro e 29 de agosto.
Na sequência, das 10h45 às 12h45, são realizados os ensaios do bloco Lata Afro Groove, também com Diorlei Santos, no mesmo período.
Serviço
Porto de Cima Cultural
Período: 25 de fevereiro a agosto de 2026
Local: Barracão São Sebastião – Rua Marumby, nº 22 – Porto de Cima – Morretes/PR
Oficinas gratuitas | Vagas limitadas
Inscrições: https://forms.gle/Ror1Nh7sPwypGsYs6
Informações: (41) 99827-1737 – Kamylla dos Santos
Instagram: @portodecimacultural










