Relação estremecida? Péke tem projeto vetado por Adriano Ramos e ironiza decisão nas redes sociais

Vereador do Republicanos, partido do prefeito, criticou o veto ao projeto “Adote um Ponto de Ônibus” e expôs publicamente a precariedade dos abrigos em Paranaguá

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Foto: Prefeitura de Paranaguá/Redes Sociais

No fim de abril, a Câmara de Paranaguá aprovou, por 16 votos favoráveis e dois vereadores ausentes, o Projeto de Lei nº 6.792/2026, que criava o programa “Adote um Ponto de Ônibus”. A proposta, de autoria do vereador Marcelo Correa da Costa(Republicanos), o Péke Bocudo, previa a participação de empresas, entidades e organizações na reforma e manutenção dos abrigos de ônibus do município.

Menos de um mês depois, na terça-feira (13), o projeto teria sido vetado pelo prefeito Adriano Ramos, também do Republicanos. A decisão provocou reação imediata de Péke, que publicou um vídeo em tom irônico nas redes sociais, usando como cenário pontos de ônibus deteriorados, quebrados, vandalizados, sem assentos ou cobertura adequada.

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“Prefeito Adriano Ramos vetou o nosso projeto do ponto de ônibus. Porém, acredito que ele já tem uma solução. Será?”, ironizou o vereador.

Em outro trecho, Péke adotou tom mais sério e afirmou que continuará cobrando melhorias, independentemente da relação política com o Executivo.

“Brincadeiras à parte, eu fiz minha parte, fiz várias indicações, fiz o projeto para tentar mudar essa realidade. Eu sei o sentimento da população, eu sei que é triste ver uma situação dessa. Eu vou trabalhar o tempo todo, fiscalizando, independente de quem é o prefeito, para mudar essa realidade. Esse veto só trouxe à tona uma triste realidade da nossa cidade”, afirmou.

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Nos bastidores, o episódio é interpretado como mais um sinal de desgaste na relação entre o vereador e o prefeito. Péke integra a base de apoio de Adriano Ramos na Câmara e pertence ao mesmo partido do chefe do Executivo. No entanto, a movimentação eleitoral para 2026 tem ampliado as tensões.

Marcelo Péke é pré-candidato a deputado estadual e esperava contar com o apoio do prefeito. O cenário político, porém, indica que Adriano Ramos pode trabalhar pelo lançamento da vice-prefeita, Fabiana Parro, como pré-candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná.

Ao afirmar que seguirá “fiscalizando, independente de quem é o prefeito”, Péke reforçou publicamente uma insatisfação que já vinha sendo demonstrada em outros momentos do mandato. Apesar do discurso mais crítico, até agora o vereador tem mantido alinhamento com a base governista nas votações da Câmara, inclusive em projetos sobre os quais declarou divergência.

Um dos exemplos ocorreu em janeiro de 2025, quando o Executivo encaminhou à Câmara o Projeto de Lei Complementar 0411/2025, referente à reforma administrativa. A proposta foi defendida pelo prefeito sob o argumento de gerar economia aos cofres públicos, mas também ampliou em 50 o número de cargos comissionados e criou mais de 100 funções gratificadas. Na ocasião, embora tenha afirmado não concordar integralmente com a medida, Péke votou favoravelmente ao projeto.

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O desconforto não é novo. Em fevereiro de 2025, durante sessão da Câmara, Péke fez um discurso crítico ao comentar um projeto apresentado por seus colegas de partido relacionado à implantação do Armazém da Família em Paranaguá. Na ocasião, ele reclamou de não ter sido consultado sobre a proposta, apesar de já ter defendido a ideia anteriormente e visitado Curitiba para conhecer o funcionamento do programa.

“O mínimo que tinha da parte de vocês era me comunicar, sabendo que fui a Curitiba ver o projeto. Inclusive, ontem o Adriano Ramos estava aqui e ele mesmo falou para eu fazer esse requerimento. Mostra que é um grupo, mas é um grupo não unido”, afirmou na época.

Na mesma fala, o vereador indicou se sentir isolado dentro da própria base governista. “Peço desculpa para os amigos aí, talvez tenha faltado comunicação ou talvez exista um grupo fechado no qual eu não faço parte”, disse.

Mais recentemente, em março deste ano, durante sessão no plenário, Peke declarou que diversas indicações apresentadas por vereadores não vêm sendo atendidas pela Administração Municipal. Na ocasião, afirmou que a situação dá a impressão de que alguns parlamentares estariam “brincando de ser vereador” e criticou o que classificou como “preguiça de algumas pessoas” dentro da gestão para solucionar demandas consideradas simples da cidade.

Em tom de irritação, o vereador também afirmou que, caso os problemas continuem sendo ignorados, “o pau vai torar” e que “não está de brincadeira mais”.

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O que previa o projeto

O programa “Adote um Ponto de Ônibus” tinha como objetivo viabilizar a reforma e a manutenção dos cerca de 220 pontos de ônibus de Paranaguá, muitos deles em situação precária. Pela proposta, empresas privadas, empresas públicas, organizações sociais e associações de classe poderiam adotar os abrigos mediante termo de permissão de uso firmado com o município.

Em contrapartida, os adotantes poderiam explorar publicidade nos espaços, desde que respeitados os critérios definidos pelo Poder Público. O texto também previa que os pontos de ônibus deveriam contar, preferencialmente, com lixeiras, cobertura resistente, proteção lateral e traseira e assentos.

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Apesar da manifestação pública do vereador sobre o veto, até o fechamento desta reportagem o documento ainda não havia sido publicado oficialmente no Diário Oficial e também não estava disponível para consulta no sistema da Câmara Municipal. Segundo a assessoria da Casa, a mensagem de veto ainda não estava tramitando e deverá entrar na pauta para leitura.

Nos bastidores, a justificativa do veto seria de “inconstitucionalidade formal” e “usurpação de poder”. O Executivo teria apontado que o projeto fere dispositivos da Lei Orgânica Municipal que atribuem ao prefeito a competência exclusiva para organizar a administração pública. Na prática, a Prefeitura sustenta que a proposta criaria obrigações e rotinas para secretarias municipais, o que só poderia ser feito por iniciativa do chefe do Executivo.

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E agora

A Câmara ainda precisa apreciar o veto. Se os vereadores mantiverem a decisão do prefeito, o projeto será arquivado. Caso o veto seja derrubado, a proposta poderá virar lei mesmo contra a vontade do Executivo, embora ainda exista a possibilidade de judicialização.

Politicamente, Péke terá duas opções: aceitar o veto e preservar o alinhamento com a base governista ou articular apoio suficiente para tentar derrubá-lo no Legislativo. Para isso, precisaria reunir dois terços dos votos dos vereadores.

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