CMEIs do Litoral recebem espetáculo que aproxima crianças da ancestralidade afroindígena

Com dez apresentações gratuitas, Kindezi une música, histórias e saberes tradicionais para promover o contato da primeira infância com as culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas

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Espetáculo estreia na próxima segunda-feira (22), em Morretes, no CMEI Maria Luisa Burtz Merkle, e percorre outros três municípios do Litoral do Paraná. Foto: Miriane Figueira

A primeira infância é um período de descobertas, formação de vínculos e construção das primeiras percepções sobre o mundo. É nesse momento que o contato com diferentes histórias, culturas e formas de existir pode contribuir para a formação de indivíduos mais sensíveis à diversidade e ao respeito às diferenças. É a partir dessa perspectiva que nasce Kindezi, novo espetáculo cênico-musical do Grupo Baquetá, que estreia na próxima segunda-feira (22), em Morretes, no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Maria Luisa Burtz Merkle, e percorre outros três municípios do Litoral do Paraná.

Aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura, o projeto promove o encontro entre a primeira infância e os saberes afroindígenas por meio da arte, da música e da oralidade. A iniciativa amplia o repertório cultural das crianças e contribui para a formação de um olhar mais sensível à diversidade e às diferentes matrizes que constituem a identidade brasileira.

Há 17 anos desenvolvendo pesquisas e criações artísticas baseadas nos saberes africanos, afro-brasileiros e dos povos indígenas, o Grupo Baquetá apresenta, pela primeira vez, uma obra pensada especialmente para crianças de 0 a 6 anos.

“Acreditamos que apresentar essas histórias, musicalidades e formas de ver o mundo desde os primeiros anos de vida é também uma forma de ampliar o olhar das crianças sobre a diversidade que compõe a nossa sociedade. Quando elas crescem reconhecendo e valorizando essas culturas, contribuímos para a formação de pessoas mais conscientes, respeitosas e menos propensas a reproduzir preconceitos e o racismo”, destaca a artista do Grupo Baquetá, Kamylla dos Santos.

A palavra Kindezi, do tronco linguístico Bantu, significa “a arte de cuidar das crianças”. “Mais do que proteção física, esse cuidado representa a transmissão de conhecimentos, valores sociais e culturais aos mais novos. Cuidar da infância também é cuidar das memórias, dos saberes e das referências culturais transmitidas às novas gerações”, completa Kamylla.

O espetáculo

No palco, Kamylla dos Santos e Maycon Souza, musicistas, atores e contadores de histórias, conduzem o público por uma experiência sensorial que une narrativas, cantos e musicalidades afroindígenas. A partir de instrumentos musicais africanos, afro-brasileiros e dos povos indígenas do Brasil, os artistas dão vida às histórias, transformando os próprios instrumentos em personagens das narrativas.

Com duração aproximada de 35 minutos, Kindezi tem como eixo os elementos da natureza (terra, água, fogo e ar) e será apresentado gratuitamente em Centros Municipais de Educação Infantil de Morretes, Pontal do Paraná, Guaraqueçaba e Paranaguá, totalizando dez apresentações.

Como medidas de acessibilidade, o espetáculo terá desenvolvimento de dramaturgia inclusiva com equipe de Libras e acessibilidade para cegos e pessoas com baixa visão.

Há 17 anos, o Grupo Baquetá desenvolve pesquisas e criações artísticas baseadas nos saberes africanos, afro-brasileiros e dos povos indígenas. Foto: Miriane Figueira

A direção musical é assinada por Fábio Timbira, músico e pesquisador das musicalidades afro-indígenas há mais de 20 anos. A direção de cena é de Isabel Oliveira, atriz, professora e diretora teatral. Já a direção de movimento fica a cargo de Leonardo da Cruz, artista da dança, coreógrafo e pesquisador quilombola da comunidade Invernada Paiol de Telha.

Oficina com inscrições abertas

Além das apresentações, Kindezi promove cinco oficinas Brincando Áfricas e Brasis, voltadas a educadores dos municípios contemplados. A proposta é ampliar o repertório cultural dos profissionais da educação e incentivar a continuidade de brincadeiras e saberes de matrizes africanas e indígenas no ambiente escolar.

A primeira oficina será realizada na segunda-feira (22), em Morretes, das 17h30 às 19h30, na Terra Escola, localizada na Estrada Amantanal, em América de Cima. A atividade é destinada a professores, educadores, pais e demais interessados no tema. As inscrições podem ser feitas pelo WhatsApp (41) 99827-1737.

Como parte das ações formativas, o projeto também disponibilizará uma cartilha digital sobre os instrumentos musicais presentes no espetáculo, reunindo informações e sugestões de possibilidades pedagógicas para aprofundar os conhecimentos apresentados em Kindezi. O material será entregue às escolas participantes e disponibilizado nas plataformas digitais do projeto.

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