Projeto Ulokelu encerra oficinas em Matinhos com turmas lotadas

Formação audiovisual gratuita reuniu mais de 130 participantes na UFPR Litoral e registrou procura três vezes maior que o número de vagas disponíveis

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As oficinas gratuitas reuniram 131 participantes ao longo de quatro finais de semana. Foto: Dayanne Gomes/Divulgação

O projeto Ulokelu concluiu, no mês de maio, seu ciclo de formação audiovisual em Matinhos com todas as turmas lotadas e ampla participação da comunidade. Realizadas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) campus Litoral, as quatro oficinas gratuitas reuniram 131 participantes ao longo de quatro finais de semana, evidenciando o interesse crescente do público do litoral paranaense por atividades ligadas ao cinema, à arte e às novas tecnologias.

Ao todo, foram oferecidas oficinas de Cinema de Guerrilha, Realidade Virtual, Cianotipia e Filmagem e Revelação em Super 8. Cada atividade contou com 20 vagas, preenchidas integralmente. A procura, no entanto, superou as expectativas da organização: mais de 60 pessoas se inscreveram para cada oficina, tornando necessário um processo de seleção dos participantes.

Idealizador e coordenador pedagógico do projeto, Cássio Kelm Soares explica que a iniciativa nasceu com o propósito de ampliar o acesso ao conhecimento em audiovisual para além dos grandes centros urbanos.

“Já havíamos realizado uma edição em Ponta Grossa e percebemos que existia uma demanda muito forte aqui no Litoral. Encontramos um público interessado, pessoas já envolvidas com produção audiovisual e outras que buscavam uma primeira aproximação com essas linguagens”, afirma.

Segundo ele, um dos diferenciais do projeto foi proporcionar experiências raras de formação, como a oficina de Super 8, técnica que exige equipamentos e materiais pouco acessíveis ao público em geral.

“São oficinas que normalmente não estão disponíveis em qualquer lugar. Trabalhamos com equipamentos específicos, ensinamos processos de revelação e oferecemos contato direto com tecnologias e práticas que muitas pessoas jamais tiveram a oportunidade de experimentar. Isso amplia repertórios e fortalece a produção cultural local”, destaca.

Além da formação técnica, o projeto também buscou estimular novos olhares sobre o território e incentivar a criação de narrativas ligadas à realidade do litoral paranaense.

“O nosso mote é que histórias ainda precisam ser contadas. O audiovisual tem esse poder de transformar, criar imaginários e registrar lugares e experiências que muitas vezes não aparecem nas produções tradicionais. Queremos contribuir para que mais pessoas contem suas próprias histórias”, completa Cássio.

A diretora de produção das oficinas, Jade Azevedo, que coordenou as atividades ao lado de Janaína Moraes, também comemorou os resultados alcançados.

“As turmas ficaram cheias e o mais interessante foi a diversidade de perfis. Tinham pessoas de diferentes idades, localidades e experiências com arte e cultura. A gente acredita que esse processo formativo pode fortalecer novas criações, novos projetos e ampliar a produção audiovisual aqui no Litoral”, afirma.

Devido à alta procura, o projeto selecionou 20 participantes por oficina para receber uma bolsa-auxílio de R$ 160 após a conclusão das atividades. O benefício teve como objetivo contribuir com despesas de alimentação e transporte, ao mesmo tempo em que permitiu a ampliação do número de vagas para participantes não bolsistas. A oficina de Cianotipia, por exemplo, reuniu cerca de 50 alunos.

Ao todo, o projeto contou com 131 participantes, dos quais 80 foram contemplados com a bolsa-auxílio. Todos os inscritos que concluíram as atividades receberão certificado de participação.

Significado

O nome Ulokelu tem origem na língua bantu, mais especificamente no kibundo (uma das línguas mais faladas em Angola), e significa “modo de fazer feitiço”. Para a equipe organizadora, a expressão representa o poder transformador do cinema e do audiovisual na vida das pessoas.

Nesta edição, o projeto também prestou homenagem à cineasta, videomaker e ensaísta Norma Bahia Pontes, figura pouco conhecida que teve papel importante na legitimação do Cinema Novo como movimento artístico na década de 1960.

A iniciativa foi aprovada pela Secretaria de Estado da Cultura, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura, e propôs reflexões sobre o papel das histórias na construção de identidades, na disputa de sentidos e na possibilidade de imaginar outros futuros.

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